quinta-feira, 30 de julho de 2009

Dissertação: Investigação de rotas de exposição a contaminantes ambientais na Baixada Santista: água e alimentos

Autora: Michele Granato Cunha

Resumo

A região do estuário de Santos/São Vicente é um importante exemplo de poluição ambiental de origem industrial. São encontradas na região substâncias tóxicas que podem provocar efeitos deletérios à saúde humana desde que exista uma forma do indivíduo entrar em contato com o poluente. Identificar a presença de uma possível rota de exposição é, portanto, etapa primordial nas investigações de contaminação ambiental. O objetivo desta dissertação foi o de avaliar a freqüência do consumo de alimentos produzidos localmente e da água utilizada nas áreas analisadas, investigando sua relevância como possível rota de exposição aos poluentes ambientais. O estudo faz parte de um amplo projeto financiado pelo CNPq intitulado Estudo Epidemiológico na População Residente na Baixada Santista-Estuário de Santos: Avaliação de Indicadores de Efeito e de Exposição à Contaminantes Ambientais que tem como objetivo estimar os efeitos à saúde associados à exposição aos contaminantes ambientais entre os moradores da Baixada Santista. O presente estudo, de desenho transversal, preliminar e exploratório, avaliou 236 domicílios de dois bairros de São Vicente, próximos a uma área contaminada, e 251 domicílios de um bairro de Bertioga, onde não existe contaminação conhecida. Foi aplicado um questionário estruturado e pré-testado para obtenção dos dados e para avaliar as associações entre local de moradia e tipo e freqüência de água e de alimentos consumidos. Adotou-se o teste qui-quadrado para testar associações entre as variáveis qualitativas. Houve associação significativa entre bairro de moradia e tipo e freqüência de água e alimentos consumidos. Em São Vicente 68,2% dos moradores utilizam para beber a água fornecida pela Sabesp por mais de 8 anos, enquanto que em Bertioga este número é de 42,6% (plt;0,05). Em São Vicente 57,2% dos moradores tratam a água antes do consumo, em Bertioga este número é de 41,8% (plt;0,05). O consumo de água ou de produtos alimentícios de origem local, nos dois bairros, é evento extremamente raro. Pode-se concluir que apenas a água tratada disponível para as comunidades analisadas e que, no caso de São Vicente, passa por solo contaminado, pode ser encarada como uma potencial rota de exposição aos contaminantes ambientais. A análise qualitativa e quantitativa de seus elementos poderá confirmar a hipótese.

Confira o material completo aqui!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Este mundo? Eu dispenso!

Por: Carolina Batista da Silva - O Globo On-line

Nós somos condicionados a todo o momento a pensar, a ter idéias e soluções brilhantes, a oferecer projetos fenomenais, a produzir, a criar textos célebres. Somos dominados por uma enxurrada de informações e cobranças que buscam formar ou moldar os "novos talentos do futuro", por sinal uma expressão cada vez mais utilizada no nosso cotidiano.

Essa pressão pela dianteira das novidades, pela liderança dos negócios, pela vanguarda das invenções, pelo domínio da vida pessoal e pelo perfeito equilíbrio da tríade amor-sucesso-felicidade é apenas mais um simulacro que nos ilude. Por que nos deixamos seduzir por esses ideais impostos pela sociedade em aliança com a mídia que obtém um resultado de tal magnitude que a quantidade de jovens decepcionados com a "vida real" se multiplica como uma peste? Por que sofremos por não obter "os melhores resultados", ou melhor dizendo, por que somos sempre cobrados a ter os melhores resultados? Na vida profissional, na vida pessoal, no amor?

Nós somos incitados a uma competitividade doentia, imposta por um sistema sem identificação aparente, sem rosto, que prefere se esconder para que seu poder manipulatório seja mais eficiente. Meu Deus, quanta neurose! Até mesmo eu, penso isso de mim de vez em quando. Essas idéias provenientes de uma mente, aparentemente sã, soam muito loucas porque somos ensaiado s a pensar como pessoas, indivíduos, componentes de uma sociedade que prega a diversidade, mas que cultiva a homogeneidade de comportamento, de pensamento, de estética, de cultura. Uma sociedade que cultiva o medo, a insegurança, que nos ensina mostrar a todo o custo nossos "talentos" (seja ele uma cura milagrosa para o câncer ou um belo bumbum rebolativo. Na verdade, de acordo com a atual conjuntura, sinto dizer, o bumbum faria bem mais sucesso!).

É esse o mundo reservado a nós? É isso que por anos homens sonharam e buscaram aprimorar para seus filhos? Um aparelho que comunica pessoas de lugares diferentes, um veículo que se locomove por vias, outro pelo mar, e, quem diria, que te faz voar! Um forno que faz comida sozinho, um telefone que te avisa quando acordar, quando tomar seu remédio, quando alguém te ligou e você não pôde atender, quando seu time perdeu, quanto você gastou na última compra. Será que já criaram um aparelho que te ajuda a calcular quanto tempo você perdeu da sua vida em busca destes ditames aterradores que ignoram o futuro, mas que adoram o presente como um Deus poderosíssimo?

Ah, eu sei a resposta para esta pergunta complexa, mas... O que será que eu ganho com isso? O "Prêmio Nobel da Verdade" por conseguir enxergar um elefante rosa desses? É, acho que vou pensar no caso! Pelo visto, essa "moeda de troca" imposta por um capitalismo fracassado Contagiante mesmo! Reformulando a resposta: é claro que ninguém inventou uma máquina que te ajuda a contabilizar o seu tempo perdido com essas imposições do sistema e, sinto muito informar, nem irão inventar, porque isso é para ser esquecido. E, desculpe-me por lembrar, mas acalme-se, provavelmente, ano que vem o Steve Jobs lançar um novo iPhone que, além de te conectar com a internet, te possibilitar ouvir músicas e assistir vídeos, te mostrar o caminho de casa e, ah, telefonar, claro. Irá compor músicas para você e dar? conselhos emocionais! Venhamos e convenhamos, com um aparelho desses, quem precisa de amigo, né?

Bom, desculpe-me pela falta de delicadeza, mas opto pela sinceridade em detrimento do manual de boas maneiras a que fui submetida desde criança, e ouso dizer: não, muito obrigada! Se é esse o mundo que me foi reservado, aproprio-me da maior cara de pau, tão criticada, quem diria, por mim mesma, para rejeitá-lo! Não, eu não quero este mundo pra mim! Mas se serve para você, faça bom proveito! De repente, quem sabe, o Barack Obama promove uma mudança miraculosa a nível planetário, os palestinos e israelenses celebrarão este feito unidos, o presidente do Irã será o entusiasta da idéia, a fome na África será extirpada e 90% dos políticos se tornar?o honestos. Quando este dia chegar, por favor, me avise por e-mail ou celular, sem restrição de horários! Até lá, lamento desapontar: este mundo? Eu dispenso!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A Mata Atlântica no Estado de São Paulo

Até os últimos anos do século XIX, a grande floresta conhecida como Mata Atlântica estendia-se ao longo da costa brasileira numa ampla faixa entre as latitudes de 3º e 33º S, cobrindo uma superfície de aproximadamente um milhão de km2. No século XX, entretanto, principalmente em suas últimas cinco décadas, o processo de devastação provocada pelas atividades agropastoril e industrial e pela expansão urbana, reduziu sua área original a menos de 8%. Hoje o que resta de mais significativo da Mata Atlântica está concentrado nas encostas litorâneas das regiões Sudeste e Sul, que em virtude das dificuldades impostas pelo relevo da Serra do Mar, não foi igualmente devastado como suas porções mais planas no restante do Brasil (S.M.A., 1996).

Em São Paulo, cerca de 80% da Mata Atlântica desapareceu, estando seus remanescentes localizados junto ao litoral, principalmente na região do Vale do Ribeira, nas escarpas das Serras do Mar e Mantiqueira e nas planícies litorâneas (S.M.A., 1996). Apesar de constituir atualmente a principal formação florestal no Estado de São Paulo, são relativamente escassos os trabalhos sobre a Mata Atlântica aqui realizados, dentre os quais podemos citar os de Coutinho (1962), Silva & Leitão Filho (1982), Barros et al. (1991), Custódio Filho (1989), Mantovani et al. (1990), Custódio Filho et al. (1992), Leitão Filho (1993), Cesar & Monteiro (1995), Dias et al. (1995), De Grande & Lopes (1981), Kirizawa et al. (1992), Mantovani (1992, 1993), Melo & Mantovani (1994), Ribeiro & Monteiro (1993), Sanchez (1994), Sugiyama (1998), Gomes da Silva (1998).
A Estação Ecológica Juréia-Itatins, por motivos históricos e pela dificuldade de acesso a sua área, caracteriza-se como um dos trechos melhor protegidos e preservados de Mata Atlântica do Brasil. A Serra da Juréia, localizada dentro dos limites desta estação, é especialmente interessante, devido ao seu isolamento pelas águas do mar do restante do continente há cerca de 5-6 mil anos, durante a Transgressão Marinha de Cananéia (Por & Imperatriz-Fonseca, 1984). Este isolamento, de certa forma, mantem-se até hoje, visto que a referida Serra encontra-se separada do restante da Serra do Mar por uma extensa planície aluvial.
O desejo de conhecer a flora dessa região, que certamente revelar-se-ia bastante diversificada, com grande número de espécies raras e possivelmente endêmicas, dado seu elevado grau de conservação, levou-nos a realizar este trabalho.

O objetivo principal deste trabalho foi inventariar a flora vascular da Serra da Juréia, como forma de contribuição ao conhecimento da Mata Atlântica no Estado de São Paulo e à preservação de uma das florestas tropicais úmidas mais ameaçadas de extinção do Planeta. Este projeto forneceu condições para o desenvolvimento de vários estudos na área, que ampliaram o conhecimento sobre a composição florística, estrutura e dinâmica da vegetação da Mata Atlântica. Entre estes podemos citar os de Carvalhaes (1997), Melo et al. (2000), Mamede et al. (1997), Anunciação (1998), Nicolau (1999), Oliveira (1999), e a descoberta de novas espécies, tais como Anthurium jureianum (Catharino & Olaio, 1990), Dioclea grandistipula (Queiroz, 1998), Calyptranthes dryadica (Kawasaki, 1998) e Begonia jureiensis (Gomes da Silva & Mamede, 2000).

Fonte: Instituto de Botânica da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo (IBOT)

..:: Foto: Aristides Faria, Fazenda Cabuçu - Santos (SP)

Harrison Ford participa de campanha de proteção da fauna

Falta de políticas públicas incentiva avanço da especulação imobiliária na Mata Atlântica

Por: Isabela Vieira - Agência Brasil

A falta de ações sociais de governos nas comunidades caiçaras, quilombolas e indígenas situadas na faixa litorânea entre Angra dos Reis (RJ) e Ubatuba (SP) favorece a instalação de empreendimentos por meio de práticas violentas de expulsão de povos tradicionais e, muitas vezes, de destruição do meio ambiente.

A avaliação é do presidente do Fórum de Comunidades Tradicionais da região, Vagner do Nascimento, que procura articular as mais de 100 comunidades caiçaras (mistura de negros, índios e colonizadores), sete aldeias indígenas e oito núcleos de remanescentes de quilombos para reivindicar o cumprimento de seus direitos.

As comunidades têm seus valores e suas tradições. Querem se manter em seu local de origem, mas com condições mínimas de sobrevivência. Ainda falta escola, energia elétrica, médicos. O que dificulta muito. Estamos indo para 2010, e as pessoas não têm condições de se manter como seres humanos”, diz Nascimento.

Membro da comunidade quilombola de Campinho da Independência, Ronaldo dos Santos, que participa do fórum, lembra que a construção da BR-101, ligando o Rio de Janeiro a São Paulo, na década de 1960, atraiu uma série de investimentos na região, que não foram acompanhados pelo desenvolvimento social.

Dessa maneira, muitas comunidades foram violentamente expulsas de suas áreas por grileiros e jagunços, relatam moradores de Vila Oratória. Elas vivem impasses com grandes condomínios ou brigam com órgãos ambientais para manter suas atividades tradicionais, como coleta, pesca e caça.

A falta de infraestrutura favorece a especulação imobiliária. O cara quer ir embora para estudar, para trabalhar”, afirma Ronaldo. “O problema é que as pessoas são simples. Acham que vendendo suas casas terão condições de sobreviver na cidade, sendo que o pagamento mal dá para custear o aluguel de três meses. Daí, acabam nas periferias [dos centros urbanos]”.

..:: Foto: Nara Assunção

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Indústria paulista debate desenvolvimento sustentável

Semana do Meio Ambiente Fiesp/Ciesp debaterá desenvolvimento sustentável no próximo dia 4 de junho. Na ocasião também será entregue o 15º Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental.

Dois debates irão acontecer. O primeiro - Desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável do Estado de São Paulo - terá a participação do secretário de Estado de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, do atual presidente da Assembléia Legislativa do estado, deputado Barros Munhoz e de José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Vitopel, representando o setor industrial.

A segunda mesa tratará do tema "O Estado de São Paulo que queremos - desafios e oportunidades socioambientais da indústria". Participarão representantes do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), que realizaram recentemente eventos macrorregionais enfocando três eixos temáticos: Tecnológico; Regulatório; Incentivos e financiamentos na área socioambiental.

Fonte: Agência Envolverde

domingo, 19 de julho de 2009

Jornalistas da região visitam manguezal

Blog do Núcleo de Jornalismo Ambiental de Santos & Região - Blog do NJA

O Núcleo de Jornalismo Ambiental Santos e Região, em parceria com a Caiçara Expedições, realizou a primeira edição do projeto Visit.ação cuja atividade foi a canoagem ecológica no manguezal. A proposta do projeto é levar os jornalistas das mídias locais a biomas por muitos deles nunca visitados, angariando informações e criando a relação do jornalista com o ambiente.

Nesta primeira edição, realizada no dia 19 de maio, oito jornalistas se inscreveram para participar do projeto e remaram cerca de 1Km atravessando a ponte do Mar Pequeno, em São Vicente, até Praia Grande, onde puderam encontrar diversas espécies de aves e vegetação nativa do manguezal.

A espécie de ave mais observada pelos jornalistas e que chamou a atenção de todos foi o Guará Vermelho, que em grande quantidade contrastava suas penas vermelhas com a paisagem verde. Outra espécie que contemplou o passeio foi o Maguari, ave que produz um som peculiar e impressiona com seus três metros de envergadura nas asas.

Durante a expedição, todos puderam observar o impacto causado pelo homem no ambiente. Muito lixo foi encontrado no caminho, alguns objetos foram recolhidos pelos remadores como, por exemplo, uma lâmpada, sacos plástico e garrafas pet. E para quem perdeu esta edição do projeto, a Caiçara Expedições e o NJA prometem muitas outras atividades em parceria. Fique atento.

A comunicação para crise requer solidariedade e cooperação

Por: Claudio Andrade* - Revista Envolverde

O grande assombro da atual crise econômica passou. Agora é hora de fazer uma profunda análise para ver o que esse episódio baliza em nossa sociedade e quais processos foram afetados. Uma coisa é certa, essa questão vai além do modelo econômico que se vive. Diferente da tão falada e comparada crise de 1929 esta é uma crise de percepção que pede uma releitura de valores e princípios.

Possíveis responsáveis pelos últimos abalos econômicos são apontados a todo instante. Recentemente a revista Times indicou 25 deles na matéria “Os rostos da crise”. Aos olhos dos mais atentos, esse estudo chama atenção para o fato de que ao mesmo tempo em que especialistas procuram razões para esse momento crítico ter se iniciado, outras milhares de pessoas continuam criando tecnologias e desenvolvendo conhecimento. Qual a relação que temos aqui? Na verdade são maneiras distintas de olhar para um mesmo problema, todavia uma decisão estratégica de onde colocar a força gerada pela busca, seja na causa, seja na conseqüência. Portanto essencialmente essa crise que o mundo presencia pode ser considerada como uma escolha e um ato de percepção. Alguns preferirão resolver rapidamente a questão com demissões e redução de produção e outros com criatividade e soluções conjuntas.

É sem dúvida concreta essa crise do ponto de vista econômico, contudo envolve ai uma revolução também concreta e decisiva de mentalidade de fazer negócios e reduzir seus efeitos colaterais. É uma grande oportunidade para refletir sobre a contribuição da comunicação como processo de cooperação, principalmente como deflagradora de uma cultura menos insustentável. A comunicação de modo estratégico possibilita a criação de futuros conjuntos e oferece ferramentas para pensar e agir com maior propriedade e coerência. Torna a empresa imbatível adquirindo proveito competitivo crescente, inclusive, muitas vezes com baixo ou nenhum investimento de ação de marketing. Um bom caminho é atentar para a comunicação com stakeholders e aprender com a experiência de todos nós como parte da solução.

Sem intenção de oferecer receita, mas contribuir com essa reflexão e ampliar a discussão, têm aqui uma pauta:
1. Mobilizar o indivíduo para agir coletivamente;
2. Estimular a crença nos objetivos comuns;
3. Estabelecer a ação comunicativa: não existe estratégia que se sustente quando não há diálogo e, não há diálogo em ambientes de contradições pessoais e profissionais;
4. Desenvolver a capacidade da visão sistêmica considerando a diversidade da realidade;
5. Contribuir com o aporte interdisciplinar para a geração de conhecimento;
6. Integrar a cadeia de valor para adquirir cooperação.
O que digo é que devemos provocar em nossas empresas e organizações uma nova visão de superação em momentos de crise. É esse o maior desafio, olhar para a comunicação como mecanismo de redução da complexidade do mundo e tornar as pessoas mais treinadas para fazer a relação entre as coisas. Desta forma atuaremos mais nas causa e menos nas conseqüências. A caixa de ferramentas das empresas e as decisões imediatas resolvem, mas não solucionam.

Todos somos parte indissociável desse processo. Funcionários, clientes, acionistas, fornecedores, consumidores; Um elo rompido provocará impacto em toda rede. Quem azeita esses elos e permite que não se rompam é a Comunicação, principalmente no interior da cultura organizacional, local onde ocorrem as verdadeiras mudanças desejadas.

Na concretização dos ideais corporativos, são as ações articuladas que determinam as qualidades individuais e profissionais, assumindo papel preponderante de preservação organizacional. Portanto, a comunicação – principalmente em tempos de crise será decisiva para a formação de propósitos comuns. Solidariedade e cooperação conceitos inseparáveis para superar qualquer crise.

* Claudio Andrade é diretor executivo da Inteos Consultoria em Sistemas Sociais, prof. de pós-graduação de jornalismo da PUC-COGEAE e especialista em Comunicação para Sustentabilidade.

sábado, 18 de julho de 2009

Educadores, sim, ambientais, sim, mágicos, não!

Por: Berenice Gehlen Adams

A Educação Ambiental se trata de um processo de educação permanente, que deve ser inserido em todos os contextos da atuação humana, alcançando desde as crianças até os mais velhos, mas como este processo educativo pode ser inserido com sucesso, e sem contradições, na sociedade do consumo?

Se por um lado a Educação Ambiental busca conscientizar e sensibilizar a sociedade para o consumo sustentável, por outro lado sabe-se que se o consumo diminui, o sistema econômico entra em crise.

Se por um lado a Educação Ambiental promove atividades que incentivam a reciclagem através de diferentes atividades didático-pedagógicas, por outro lado está-se incentivando o consumo, pois para reciclar é preciso ter materiais para serem reciclados. Certa vez uma menina do interior passou a comprar diariamente garrafas de refrigerante, e ao questioná-la sobre o 'novo' hábito, ela me disse que sua escola estava fazendo uma gincana de quem arrecadasse mais garrafas PET, ou seja, sem perceber, atividades educacionais, com as melhores das intenções, acabam por incentivar o inverso.

Artigo completo: Projeto Apoema - Educação Ambiental

APAs no Litoral de São Paulo entram na pauta de discussão

Por: Beatriz Souza & Mariana Gianjoppe

Está para ser assinado pelo governador José Serra um decreto que determina a criação de três Áreas de Proteção Ambiental (APAs) - Litoral Norte, Litoral Centro e Litoral Sul de São Paulo. Será criado, junto com as Áreas de Relevante Interesse Econômico (ÁRIES), um “Mosaico de Conservação Ambiental”. Inicialmente, estava programado para o documento ser assinado dia 8 de junho. Porém, essa data foi prorrogada devido à polêmica repercussão que o projeto teve entre a comunidade de pescadores, instituições científicas e organizações não governamentais.

Uma das questões mais polêmicas foi a própria elaboração da proposta pela Secretaria do Meio Ambiente, que não seguiu uma lógica participativa, excluindo do processo pescadores, operadores de turismo e do setor náutico, ambientalistas e outros interessados. As Consultas Públicas só foram realizadas após a formulação do decreto, o que não foi suficiente para uma participação pública efetiva.

Diante dos protestos ocorridos nas audiências públicas, realizadas durante os meses de Abril e Maio, nas cidades Iguapé, São Vicente e Ilhabela, a Secretaria do Meio Ambiente disponibilizou na Internet a versão das minutas das APAs, entre 26 de maio e 27 de junho. Nesse período, também foi possível propor alterações e enviar sugestões por e-mail. Uma tentativa de Francisco Graziano,Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, demonstrar interesse na participação da comunidade na elaboração do projeto.

A falta de informação por parte dos pescadores tradicionais também dificulta a aceitação da criação das áreas de proteção ambiental. Ao contrário do que pensa a maioria, a APA não é tão restritiva quanto outros tipos de Unidade de Conservação. Enquanto em parques e reservas biológicas, por exemplo, são proibidas a exploração e o aproveitamento dos recursos naturais, nas APAs visa-se o uso sustentável dos recursos naturais.
De acordo com a minuta da APA marinha do Litoral Norte, disponibilizada na Internet, “Ficam asseguradas no perímetro da APA, as atividades de pesquisa científica e educação ambiental relacionadas à conservação da biodiversidade; manejo sustentado de recursos marinhos; pesca artesanal, esportiva e demais modalidades, desde que garantida sua sustentabilidade”. Ficaria proibida, apenas, a “pesca industrial de arrasto com a utilização de barcos de grande porte, tais como aqueles que operam em parelha”. Isto é, o projeto visa a proteção do ecossistema marinho por meio do combate à pesca predatória.
No entanto, mesmo que essa unidade de conservação não impeça a pesca tradicional, ela cria uma situação de dependência dos pescadores em relação ao plano de manejo das APAs. Esse plano deve ser definido por um Conselho Gestor, composto paritariamente por representantes do Poder Público e da sociedade civil organizada, incluindo os pescadores artesanais e entidades de defesa do mar. A possibilidade da legalidade da pesca artesanal em determinadas regiões passar a depender de futuras decisões daqueles que estiverem no Conselho e de futuros decretos aparece como uma ameaça para os pescadores, mesmo eles estando minimamente representados no Conselho.

Por parte da comunidade científica, outra reclamação é a falta de embasamento científico para a definição das áreas de proteção, já que não foram feitos estudos e pesquisas capazes de garantir que as áreas determinadas pelo decreto são as mais relevantes para a preservação das espécies ameaçadas no litoral paulista, nem para criar estoques de reposição para a pesca.

Entre as ONGs sócio-ambientalistas, prevalece a opinião de que a criação da APA pode ser válida tanto para a preservação ambiental quanto para o desenvolvimento da pesca tradicional, desde que sejam tomadas medidas que legitimem o decreto e assegurem o uso sustentável dos recursos naturais.

Numa carta de manifestação enviada ao governador e ao secretário do meio ambiente de São Paulo por alguma dessas ONGs, entre elas a ALNORTE, o CEMAR, o PROAM, a Fundação Pró-TAMAR e o Instituto Costa Brasilis, foram sugeridas algumas alternativas para que a proposta do governo torne-se viável. Uma das sugestões dadas foi a “Apresentação pelo estado de um Plano para implantação das APAs contendo: proposta de composição e forma de operação dos conselhos gestores; metodologia para elaboração dos planos de manejo e do zoneamento das APAs, adequada à sua escala e capaz de considerar os diferentes interesses existentes em sua área; recursos humanos, inclusive com profissionais da área marinha; recursos financeiros previstos para sua gestão, incluindo fontes e prazos para alocação destes recursos; esclarecimentos públicos sobre a interferência da criação destas UCs na vida das populações tradicionais e pescadores artesanais”.

Para Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP, a instituição de APAs certamente trará benefícios sociais, econômicos e ambientais para toda a região mas a proposta tem tido empecilhos tanto para sua aceitação pela comunidade caiçara- uma vez que esse não seguiu a lógica participativa já usada no Zoneamento Ecológico-Econômico - quanto para a sua argumentação, já que não existem dados científicos que auxiliem a definição do formato proposto (polígonos) para as áreas.

Arrecifes de corais